29.3.13

Despertar



Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. E o sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Gibran Khalil Gibran
O Louco

11.11.10

O Mestre da Paciência


Conta uma lenda que um velho sábio, tido como Mestre da Paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o Mestre da Paciência. O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo.

Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se.

Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade. O mestre perguntou:
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo.-Respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale p/ a inveja, a raiva e os insultos. Quando não aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.

...
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma...a não ser que você permita.

*The Dhammapada

28.10.10

Leveza



Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…


Mario Quintana

13.9.09

Esperança



Porque somos frágeis e delicados, às vêzes não é possível ficar acima das circunstâncias e é necessário, sim, sofrer, saber que é um pedaço do inferno, mas que temos força para atravessá-lo mesmo chorando.

Nós temos capacidade de atravessar estes campos lamacentos da vida, mas lá adiante existe o momento de refrigério, é preciso ter confiança nele, que bom que existe a impermanência! Ela permite que saibamos que os sofrimentos se esgotam.

De outro lado, quem dentro de nós é que sofre com os insultos? É nosso desejo de ser amado, de ser reconhecido, é nosso pobre orgulho de sermos seres diversos, diferentes daquilo que ouvimos...como estar acima disto?

Difícil,mas pelo menos podemos respirar fundo, esquecer as coisas tristes nos voltando para as boas, sei que quando experimentamos alguma esperança qualquer recaída é mais dolorosa, por que?

Porque alimentamos a expectativa do futuro, porque saímos do presente esperando que tudo continue bom como naquele momento melhor, mas este momento não desapareceu, faz parte da mesma pessoa, ela é tudo isto, o bem e o mal misturados, o que será que nossos olhos podem ver através das aparências das emoções que animam o outro?

São as ações que são erradas, mas as pessoas no fundo tem a pura natureza búdica, é só o carma que as agita.
Saia um pouco e olhe o céu azul, as nuvens passam sem perturbá-lo.

Monge Genshô

10.9.09

Limite




Conta uma lenda árabe que um nômade do deserto resolveu, certo dia, mudar de oásis.
Reuniu todos os utensílios que possuía e de modo ordenado, foi colocando-os sobre o seu único camelo.
O animal era forte e paciente. Sem se perturbar, foi suportando o peso dos tapetes de predileção do seu dono.

Depois, foram colocados sobre ele os quadros de paisagens árabes, maravilhosamente pintados.
Na seqüência, foram acomodados os objetos de cozinha, de vários tamanhos.
Finalmente, vários baús cheios de quinquilharias. Nada podia ser dispensado. Tudo era importante.

Tudo fazia parte da vida daquele nômade, que desejava montar o novo lar, em outras paragens, de igual forma que ali o tinha.

O animal agüentou firme, sem mostrar revolta alguma com o peso excessivo que lhe impunha o dono.
Depois de algum tempo, o camelo estava abarrotado. Mas continuava de pé.

O beduíno se preparava para partir, quando se recordou de um detalhe importante: uma pena de pavão.
Ele a utilizava como caneta para escrever cartas aos amigos, preenchendo a sua solidão, no deserto.
Com cuidado, foi buscar a pena e encontrou um lugarzinho todo especial, para colocá-la em cima do camelo.

Logo que fez isso, o animal arriou com o peso e morreu. O homem ficou muito zangado e exclamou:
Que animal mole! Não agüentou uma simples pena de pavão!

Por vezes, agimos como o nômade da história. Não é raro o trabalhador perder o emprego e reclamar: Fui mandado embora, só porque cheguei atrasado 10 minutos.
Ele se esquece de dizer que quase todos os dias chega atrasado 10 minutos.
Outro diz: Minha mulher é muito intolerante. Brigou comigo só porque cheguei um pouquinho embriagado, depois da festinha com os amigos.

A realidade é que ele costuma chegar muitas vezes embriagado, tornando-se inconveniente e até agressivo.
Há pessoas que vivem a pedir emprestado dinheiro, livros, roupa para ir a uma festa, uma lista infindável.
E ficam chateadas quando recebem um não da pessoa que já cansou de viver a emprestar!

Costuma-se dizer que é a gota d'água que faz transbordar a taça. Em verdade, todo ser humano tem seu limite.
Quando o limite é ultrapassado, fica difícil o relacionamento entre as pessoas.
No trato familiar, são as pequenas faltas, quase imperceptíveis, que se vão acumulando, dia após dia.

É então que sucumbem relacionamentos conjugais, acabam casamentos que pareciam duradouros.

Amizades de longos anos deterioram. Empregos são perdidos, sociedades são desfeitas.
Tudo se deve ao excesso de reclamações diárias, faltas pequenas, mas constantes, pequenos deslizes, sempre repetidos.

Mentiras que parecem sem importância. Todavia, sempre renovadas.
Um dia surge em que a pessoa não suporta mais e toma uma atitude que surpreende a quem não se dera conta de como a sobrecarregara, ao longo das semanas, meses e anos.



Fique atento em todas as suas atividades diárias.

Não deixe que suas ações prejudiquem a outros, mesmo que de forma leve.

Não descarregue nos outros a sua frustração ou insatisfação.

Preze as amizades. Preserve a harmonia do ambiente familiar.

Seja você, sempre, quem tolere, compreenda e tenha sempre à mão uma boa dose de bom senso.

A pena de pavão, de Djalma Santos

9.9.09

Expandindo a Mente



A mente é como uma base pura e sem fronteiras. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos limitados e finitos, então podemos permanecer no frescor de nossa mente sem limites.

A mente é como água pura e clara. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos obscuros, então podemos permanecer em nossa mente natural e primordial.

A mente é como fogo puro radiante. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos enfumaçados, então podemos permanecer em nossa mente leve e luminosa.

A mente é como ar puro e sem peso. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos empoeirados, então podemos permanecer em nossa mente clara e desobstruída.

A mente é como o céu puro e aberto. Se não nos atrairmos e não nos apegarmos aos nossos fenômenos enevoados, então podemos permanecer no espaço aberto da nossa mente.



Thinley Norbu Rinpoche (Tibete, 1931 ~)
"Magic Dance"

Ser o melhor para você mesmo



Antes de Buddha morrer, seus seguidores perguntaram o que eles deveriam dizer ao mundo. Buddha disse quatro coisas bem interessantes. As quatro verdades:

Ele disse que seus seguidores deveriam dizer ao mundo que houve uma vez um homem comum chamado Siddhartha, em Kapilavastu, na Índia.

Siddhartha veio a esta terra como um ser humano comum.
Ênfase na palavra comum.
A segunda mensagem era que este homem comum atingiu a iluminação.
Este ser humano comum mais tarde ensinou um método de como atingir a iluminação; esta era a terceira mensagem.
A quarta mensagem era que até mesmo este ser iluminado faleceu.
Estas são as quatro mensagens que o Buddha verdadeiramente quis que seus seguidores dessem ao mundo.

Quando o Buddha disse que um homem comum veio a esta terra, ele estava dizendo que cada ser humano pode se tornar um buddha; eles têm o potencial de um buddha. De fato, sua natureza é buddha. Siddhartha não nasceu como um buddha; ele era comum, assim como vocês e eu.
Essa é uma mensagem muito importante. Uma pessoa ignorante, agressiva, mesquinha, comum, também pode se tornar um buddha. Pode se transformar, mudar e melhorar.
Isso é o que ele estava dizendo na primeira e segunda mensagens.
A terceira mensagem também é muito importante.
Podemos pensar, "Isto pode ter acontecido para ele, mas e quanto a nós?" Então, na terceira mensagem, o Buddha está dizendo que nos deixou o método de como ele atingiu a iluminação.
Em outros discursos, o Buddha afirmou claramente que ele não pode lhes dar a iluminação, ele não pode apagar o seu sofrimento, vocês têm de fazer isso por si mesmos.

A quarta é provavelmente a mensagem mais importante. O Buddha não se tornou imortal. Ele não se tornou algo que nunca morre, eterno.
Ele foi para o que os buddhistas chamam de parinirvana. Pari significa adiante.

A sabedoria do Buddha é muito complicada e não é nada atrativa. Diz que você é totalmente responsável por tudo que acontece em sua vida. Nada é culpa de seus pais ou de alguém.
É muito verdadeira, muito crua, nua. Portanto, ela não é apelativa porque ninguém gosta de ouvir a verdade, é muito desagradável de ouvir.
Os métodos de Buddha são orientados muito individualmente. Ele mesmo disse que você é o seu próprio mestre, seu próprio salvador, ninguém pode salvá-lo.

Depende apenas de você mesmo.

Dzongsar Jamyang Khyentse

O Insondável



Eu não acreditei,
em pé, às margens de um rio
largo e agitado,
que eu atravessaria aquela ponte
trançada de palhas finas e frágeis
amarradas com corda.

Eu caminhei delicadamente como uma borboleta
e pesadamente como um elefante,
eu caminhei certamente como um dançarino
e titubeante como um cego.

Eu não acreditei que iria atravessar aquela ponte,
e agora que eu estou do outro lado,
eu não acredito que eu a atravessei.

Leopoldo Staff




Mesmo quando você conhecer Deus, você não será capaz de acreditar que O conheceu.
Isso é o que eu quero dizer quando digo que Deus é um mistério.
Desconhecido, Ele permanece incognoscível.
Conhecido, Ele também permanece incognoscível.
Sem ser visto, Ele é um mistério.
Visto, Ele se torna um mistério ainda maior.

Ele não é um problema que você possa resolver.
Ele é maior do que você.
Você pode dissolver-se nele,
mas você não pode resolvê-lo."

Osho

Em busca de si mesmo



Veja o falso como falso,
o verdadeiro como verdadeiro.
Olhe para o seu coração.
Siga a sua natureza.

Buddha

Esta é uma das mais belas declarações: 'Olhe para o seu coração. Siga a sua natureza'.
Buda não está dizendo, siga as escrituras. Ele não está dizendo, siga-me.
Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta.

Ele não está ensinando a você qualquer moralidade.

Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de uma prisão.
Ele não está dando a você um certo caminho para viver.

Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza.

Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração e seguir, de acordo com ele.

'Siga a sua natureza' quer dizer: flua com você mesmo.
Você é a escritura... e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz.
Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela.
O Mestre tem apenas que tornar você consciente de seu Mestre interior.

Aí a sua função estará completa. Aí ele poderá deixar você consigo mesmo, ele poderá mandar você de volta para você mesmo.
A proposta de um Mestre não é escravizar um discípulo, a proposta de um Mestre é libertá-lo, é lhe dar total liberdade.

E essa é a única possibilidade de se atingir a liberdade total: 'Siga a sua natureza'.
Por 'natureza', Buda quer dizer Dhamma.

Assim como é da natureza da água fluir para baixo e é da natureza do fogo se expandir para o alto, assim existe uma certa natureza escondida dentro de você.
Se todos os condicionamentos que foram impostos a você pela sociedade forem removidos, de repente você irá descobrir a sua natureza.
A não ser que a sua natureza divina floresça, abra os seus botões, a não ser que você se torne um lótus, mil pétalas de lótus, a não ser que a sua divindade seja revelada a você, você nunca estará satisfeito.

Ao homem religioso comum é dito para que permaneça satisfeito e contente, em qualquer que seja a situação. Os chamados santos religiosos seguem ensinando às pessoas: 'fique satisfeito'.
A satisfação é um de seus ensinamentos fundamentais.

Esse não é o caminho dos verdadeiros Mestres.
O Mestre verdadeiro cria o descontentamento em você, um tal descontentamento que nada neste mundo poderá satisfazê-lo.
Ele cria um tal anseio em você, que a não ser que você alcance o máximo, você irá permanecer sem fogo, sem chama. Ele cria dor em seu coração, ele cria angústia... porque a vida está escorregando a todo momento, e cada momento que se foi, se foi para sempre, e você ainda não alcançou Deus e mais um dia já se passou.

Ele cria um tal anseio profundo em você, uma tal dor em seu coração!
Ele cria lágrimas em seus olhos, porque somente através desse divino descontentamento, você irá se mover, você dará o salto quântico, o salto maior em direção ao desconhecido.
Somente através desse divino descontentamento é que você reunirá todas as suas energias e se arriscará, indo até a aventura maior que é descobrir quem você é.

Siga a sua própria natureza. A sua natureza é a consciência.

Palestras sobre "O Dhammapada, de Gautama, o Buda"
tradução: Sw.Bodhi Champak

2.9.09

Destino


Todos os anos o Imperador do Japão escolhe uma palavra para a população escrever poesias.
Há concursos e discursos. Há declamação e há aqueles que escrevem para si mesmos, como diversão.
As monjas e monges escrevem como prática religiosa e se acaso morrerem, esse poema se tornará seu epitáfio.

A palavra deste ano é Inochi.

Inochi significa vida.

Inochi também significa destino, decreto, comando.
Ao escolher uma palavra o Imperador faz com que todos reflitam sobre ela.
Vida...

Neste momento em que jovens cometem suicídio com hora marcada pelos orkuts e blogs, corruptos se enforcam ou se escondem em hotéis suspeitos, yakuzas, dekassekis, pessoas comuns, policiais, soldados e marginais matam e morrem, nos ônibus, nas esquinas, nos corredores e nos bastidores.

A morte como atriz principal, sorri debruçada na escada da vida.
Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?
Qual nosso destino? A que decreto obedecer? A qual comando servir?
Quem decreta o decreto? Será voto secreto? Quem está no comando? Há mandos e desmandos?
O que é a vida? E a morte? Arrepia ou dá sorte? Há um começo, um meio, um fim?

Ou será sem começo, sem fim, apenas um meio?
Há pré destinação? Ou se escolhe o destino?
Há um Deus comandando, decretando, criando, organizando?
Ou apenas a razão? Há o nada, o vazio?
Tudo é o caos, desordenando-se e se reordenando num constante redemoinho sem nexo ou plexo?
Ou segue uma ordem, uma lei de interdependência, que transcende o eu e o outro, Deus e criatura?

Vida, destino, decreto, comando.
Somos donas de nosso destino? Somos vítimas do destino? Ou somos co responsáveis pela vida – que é nossa, que é vossa, que é delas e deles?

Uma pequena luz começara a se acender em mim.
E quando tudo parece escuro, quando não encontro solução e não vejo a luz no final do túnel, eu sei que a luz existe.
Mesmo pequenina de vagalume, ou imensa de cometa.

A vida vale a pena ser vivida.
Monja Coen

23.8.09

O Livro dos Livros



Conta-se que há muitos e muitos anos, vivia no oásis de Bukra um povo cuja bondade nem o tempo conseguia medir.
Esse povo era o guardião do Kitab-ul-Kutub (Livro dos Livros) que deveria servir de guia espiritual para a humanidade, e que de forma nenhuma poderia cair em mãos erradas, sob o risco de despertar o Incontrolável.

Na capa, letras circundavam a figura de um gafanhoto onde se lia:
"Ser humano é entender que a
Diversidade leva à unidade,
Que a unidade leva à solidariedade,
Que a solidariedade leva à igualdade,
Que a igualdade leva à liberdade,
Que a liberdade leva à diversidade."

Nas páginas internas, desenhos de animais vinham acompanhados de parábolas.
A do cavalo dizia: “vivemos num eterno círculo, onde as retas não tem fim” ;
a do camelo apregoava: “impossível e nunca são palavras que não devem ser pronunciadas porque a natureza humana não tem limites” ;
A da gazela ensinava: “a sabedoria é como água, quem não tem sede não tem prazer em beber” ;
A da águia alertava: “nenhuma coisa pode ser percebida, se não souber como vê-la” ; a do touro lamentava: “quem pensa somente no futuro é insensato; afinal: o que o futuro lhe trouxe?” ;
A do escorpião instruía: “fuja do hábito, ou ele acabará anulando sua vida” ;
A da serpente proclamava: “Imortal, a humanidade jamais terá fim, pois Deus precisa do homem para existir” ...

Na página central, ao lado da imagem do gafanhoto, um texto esclarecia:

O gafanhoto reúne a natureza e a forma dos sete viventes primordiais: Tem a cabeça do cavalo, o pescoço do touro, as asas da águia, os pés do camelo, a cauda da serpente, o ventre do escorpião e os chifres da gazela.

Se você chegou até aqui e não entendeu a mensagem, não prossiga.

Observe e aprenda que os animais são mais generosos que os homens, pois nunca se viu um leão escravo de outro leão, nem cavalo de outro cavalo.

Não se sabe o que aconteceu com o povo de Bukra, nem com o livro. Beduínos da tribo dos Bani-Nujum deixaram relatos de que eles teriam se ocultado para proteger o livro do Al-Dajal, trazido pelo vento norte.

E que um dia reapareceriam para que a humanidade pudesse entender o significado do círculo da Vida.

Georges Bourdoukan
Revista Caros Amigos, pág. 28 - Abril de 2004

13.7.09

Vida



A vida deverá ser uma celebração, um festival de luzes durante todo o ano. Somente então podes crescer, podes florescer. Transforma as coisas pequenas numa celebração.
A vida deve ser uma busca. Não um desejo, mas sim, uma busca; não uma ambição de converter-se nisto ou em outro, no presidente de um país ou num primeiro ministro, mas sim, uma busca para descobrir-se: “Quem sou eu?"

A vida não é um cárcere, não é um castigo. É uma recompensa que é dada somente àqueles que a tenham ganhado, aqueles que a merecem. Agora tens o direito de desfrutá-la. Seria um erro se não a desfrutasse. Irias contra a existência senão a embelezasse, se a deixares simplesmente como a encontrastes. Não deixá-la um pouco mais feliz, mais bela, mais flagrante.

A vida consiste em explorar, em ir em direção ao desconhecido, em alcançar as estrelas! Seja corajoso e sacrifica tudo pela vida; nada vale mais que ela. Não sacrifiques tua vida por causa de pequenas coisas: dinheiro, segurança, estabilidade. Nada disso tem valor. Tens que viver tua própria vida tão intensamente como te seja possível, então, a alegria chega. Somente então, é possível uma desbordante felicidade. Aqueles que querem realmente viver tem que se defrontar com muitos riscos. Tem que adentrar-se mais e mais no desconhecido. Tem que aprender uma das lições mais fundamentais: que não existe casa, que a vida é um peregrinar sem princípio nem fim. Sim, existem lugares onde podes descansar, porém são simplesmente para passar a noite e a manhã seguinte tens que ir de novo. A vida é um contínuo movimento, nunca chega a nenhum final.

Quanto mais profunda uma pessoa é em si mesma, mais madura. Quando alcança o centro de si mesma, de seu ser, alcança a maturidade perfeita. Para mim, “maturidade” é outro nome para “realização”. Culminou-se o pleno desenvolvimento de seu potencial. O tens atualizado. A semente, traz consigo uma árdua viagem, até florescer. A maturidade carrega uma certa fragrância, acrescenta uma tremenda beleza para o individuo. Acrescenta-lhe inteligência, a inteligência mais aguda possível. Converte-lhe em puro amor. Sua atividade é amor, sua inatividade é amor. Sua vida é amor, sua morte é amor. És tão somente uma flor de amor.

Adentra-te no imenso, no infinito e, pouco a pouco, aprende a confiar nele. Abandona-te nas mãos da Vida.

O conceito antigo do homem religioso é que ele está contra a vida. Ele condena esta vida, esta vida corrente; chama-a de mundana, profana, uma ilusão. Há censura. Eu estou tão profundamente enamorado da Vida que não posso censurá-la. Estou aqui para incrementar a possibilidade de senti-la.

Osho

O som do mantra



A palavra é poder criativo, o poder do mantra.

Todas as línguas são sagradas, não apenas o sânscrito, e qualquer palavra ou som pode ser percebido como um mantra. Se simplesmente escutarmos sem expectativas, ouvindo o vazio por trás do som, podemos nos tornar sensíveis à sua qualidade interior e à mensagem que ele carrega.É a música do não-ser e do despertar.


O poeta Milarepa é muitas vezes retratado com uma mão em concha junto à sua orelha, escutando intencionalmente suas próprias músicas à medida que surgem de seu vazio e silêncio. Toda fala pode se tornar a poesia do dharma quando ela flui daquele sentido de espaço.


A transformação da fala comum em fala vajra é realizada pela recitação de mantras. Mantra não é apenas uma prece ou invocação; é a própria deidade. É a presença viva da deidade no som, assim como a imagem visual é a sua presença viva na forma.


Mantra é também a própria fala da deidade, a palavra de poder que executa as ações iluminadas da deidade. Como as formas visualizadas, o som do mantra se dissolve de volta para o vazio ao final da meditação. Utilizando essa prática, aprendemos a experimentar tudo o que dizemos e tudo o que ouvimos como mantra, ressoando ainda vazio como um eco.

Francesca Fremantle
"Vazio Luminoso"

Identidade


As raízes de todas as coisas vivas estão amarradas juntas. Profundamente na base dos seres, elas se entrelaçam e se abraçam. Essa compreensão é expressa com o termo não-dualidade. Se olhamos profundamente, descobrimos que não temos uma identidade separada, uma identidade que não inclua sol e vento, terra e água, criaturas e plantas, um e outros.


Joan Halifax Roshi
Essential Zen

Interser



Era o entardecer. Tudo estava silencioso a não ser por alguns pássaros. Vesti os hábitos formais, acendi um incenso de sandalo que trouxera, fiz um pouco de chá e enquanto o bebia lentamente fiquei a olhar para a palha de arroz que forrava o chão de todo o aposento.

De repente percebi o chão vivo. A palha de arroz era um grande arrozal. O vento balançava as longas hastes douradas. Foi tudo muito rápido, mas muito vívido. Pouco depois o chão voltou a ser a palha de arroz antiga, já um pouco desgastada pelos anos de uso, mas ainda em muito bom estado. Pensei em todas as pessoas que aqueles tatami suportaram e as que ainda servirão e senti uma grande reverência pelos campos de arroz.

A interdependência, ensinada nos textos sagrados, está em toda parte. O arroz só é possível se houver água, sol, nuvem, sapos que coaxam nos verões à sua volta, senhoras idosas de costas curvas pelos anos de constante plantar e colher. O arrozal existe se houver crianças correndo, varais de roupas coloridas, minhocas, e até nossos pensamentos e sentimentos. Tudo interligado, interconectado e vivo. O arroz é feito de coisas não-arroz. Cada um de nós existe graças a todos os não-nós.
Palha de arroz. Tatami. Vislumbre breve do milagre de interser.

Monja Coen

4.7.09

Sua história tem um significado



"Nada se encontra sem significado neste mundo.
O mundo é cósmico, mas não é um caos.
Podes não ser capaz de o entender, uma vez que só conheces os seus fragmentos, não conheces a totalidade.

A tua experiência da vida é como se só dispusesses de uma página escrita de um romance: podes lê-la, mas não faz sentido, pois não é mais do que um pequeno fragmento, não conheces a história toda.

Uma vez que tomes o conhecimento completo da história, então esta página será compreensível, então esta página tornar-se-á coerente,com significado."


Osho

3.7.09

Eternizar só o que é bom



Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto, e em determinado ponto da viagem discutiram.
O outro, ofendido, sem nada a dizer, escreveu na areia:
HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME BATEU NO ROSTO



Seguiram e chegaram a um oásis, onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um estilete e escreveu numa pedra:
HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA



Intrigado, o amigo perguntou:
Por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreveu na pedra? Sorrindo, o outro amigo respondeu:
Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar; porém quando este nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar.

1.7.09

Alegria é luz



Alegria é luz. E alegria é o começo de uma grande peregrinação que termina encontrando Deus. Então prossiga - sem medo nenhum porque a existência sempre protege aqueles que confiam nela. Relaxe, entregue-se à existência e permita que a alegria o domine. Deixe-a tornar-se suas asas para que você possa alcançar as estrelas.

Um coração jubiloso está muito próximo das estrelas.

Somente o triste, o sofredor e o miserável seguem o caminho para o "inferno". Eles estão a criar o seu próprio inferno espiritual... O jubiloso, o que canta, o que dança e que celebra estão a criar o seu paraíso através de cada uma das suas canções, através de cada uma das suas danças.



Está nas suas mãos criar um paraíso ou mergulhar na escuridão, no fogo do inferno. Estes lugares não estão do lado de fora, ambos estão dentro de vocês. Tudo depende do que você escolhe ser. Escolha ser divino, escolha ser mais e mais aquele que celebra, escolha ser festivo, assim cada vez mais flores podem florescer em seu ser, e mais e mais fragrâncias podem ficar disponíveis para si.

Assim, não irá apenas ajudar-se a si mesmo, irá ajudar todo aquele com quem tenha contato. Alegria é uma infecção como qualquer doença. Quando vê algumas pessoas a dançar, sente subitamente que os seus pés estão prontos. Pode tentar controlá-los, porque o controle lhe foi ensinado, o seu corpo, porém, quer juntar-se à dança. Sempre que tenha uma oportunidade de rir, ria; sempre que tenha uma oportunidade de dançar, dance; sempre que tenha uma oportunidade de cantar, cante - e um dia descobrirá que criou o seu paraíso.

Não é que a pessoa vá para o paraíso; o paraíso não está num lugar no céu - é algo que a pessoa cria ao redor de si mesma.

Isto é um bom começo. Com todas as minhas bençãos, vá mais fundo, apesar do medo. Não dê ouvidos às coisas negativas porque se as escutar, elas podem envenená-lo, podem destruir a sua alegria - conserve-a pura, impoluta. E aqui estão pessoas que irão dançar consigo, que irão celebrar porque você deu o primeiro passo em direção a Deus.

E deixe-me lembrá-lo, de que o primeiro passo é quase metade da jornada.


por Osho, em "The Razor's Edge"

24.6.09

Huma Kusu, de Devrim Kaya

1.6.09

O Homem e Deus



"Muito antigamente, quando a primeira trepidação da fala me chegou aos lábios, subi a montanha sagrada e conversei com Deus, dizendo:- Senhor, sou vosso escravo. Vossa vontade oculta é minha lei e vou cumpri-la para todo o sempre.Mas Deus não respondeu e passou por mim como uma tempestade violenta.

Mil anos depois, voltei a subir a montanha sagrada e falei de novo com Deus, dizendo:- Criador, sou vossa criatura. Com barro me fizestes e a vós devo tudo o que sou.Mas Deus não me respondeu e passou por mim como mil asas velozes.

Depois de mil anos, subi a montanha sagrada e falei de novo com Deus:- Pai, sou vosso filho. Com amor e compaixão me destes a vida e com amor e adoração vou herdar vosso reino.Mas Deus não me respondeu e passou por mim como os véus da neblina das montanhas distantes.

Passados outros mil anos, subi a montanha sagrada e me dirigi ao Criador de novo, dizendo:- Meu Deus, meu alvo e minha plenitude, sou vosso ontem e vós sois meu amanhã. Sou vossa raiz na terra e voz sois minha flor no céu, e juntos crescemos diante da face do sol.


Então Deus se inclinou para mim e sussurrou em meus ouvidos palavras doces e, como o mar que abraça um riacho que nele deságua, ele me abraçou.

E, quando desci para os vales e as planícies, Deus também estava lá."

Gibran Khalil Gibran; O louco

30.5.09

Superação



Não se prenda às suas tristezas, contudo não deixe de vivê-las. Nem lá, nem cá. Observe calmamente e saboreie estes momentos, pois se encerra neles, justamente, a oportunidade de crescer e evoluir quanto ao desenvolvimento humano e ascender a condições melhores de sabedoria e amor. Todos queremos o céu, mas esquecemo-nos da trajetória, procurando adiar a caminhada. Dor e sofrimento fazem parte da natureza que habita em nós. São elas as formas pelas quais nos incomodamos e reagimos, e assim damos novos passos. E, mesmo sem perceber, modificamos o que fomos há pouco ou muito. É uma tentativa vã fugir das mudanças.


Vivenciar a dor e o sofrimento com menor receio nos aproxima de nós mesmos, levando-nos ao autoconhecimento, elemento crucial para que vivamos em maior plenitude. Quanto mais nos conhecemos e nos aceitamos, tanto melhor crescemos. Enxergando-nos com honestidade, abre-se a chance de modificar o que entendemos que deva ser modificado. Enganar-se, retarda qualquer modificação de nossa parte. É tarefa difícil compreender que o sofrimento existencial é um componente de nossa dinâmica de se viver, ao contrário, o enxergamos como um castigo, ou uma punição apenas.

Por outro lado, é justo almejar a alegria e o contentamento. Entretanto, é a eles que pretendemos nos apegar, procurando desconsiderar o seu oposto: as aflições. Vivemos a época da busca incontrolável pelo prazer. Busca-se o extremo nesta direção, e isso faz clara oposição a qualquer dissabor. Cria-se muita dificuldade em aceitar o que não faz parte do mundo prazeroso. É claro que se trata apenas de uma ilusão, mas ela tem poderosa força e ganha adeptos em crescente velocidade. São idéias que nos chegam de fora e as incorporamos. Crescemos aprendendo desta forma, e com isso nos tornamos presas fáceis da própria falta de conhecimento acerca de si mesmos, por não permitir o acesso que leva ao conhecimento do mundo de dentro.


Cuidado, não maldiga os momentos em que as aflições estão presentes, e tampouco tente fugir. A recusa implica em atraso, em lentas passadas nas viagens que temos pela frente. Mude aos poucos a percepção a respeito destas condições. Perceba as vantagens que podem ser aproveitadas, ainda mais se aceitarmos a inevitabilidade de ter que passar por estes momentos. Conquiste a calma necessária para lidar melhor mediante os sofrimentos da vida. Conhecer a este respeito já nos oferece uma posição privilegiada.

 

Com o sofrimento, o choro chega também, e ele traz alívio. É um amigo que conforta, deixando clara a sua missão: expressar o que vem do âmago, e ao mesmo tempo consolar. Se precisarmos reduzir o sofrimento, temos o recurso natural: o chorar. Chore, e lembre-se da sábia frase de Jesus: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados".


Confie em si mesmo, nas suas sensações e reflexões. Creia mais nas coisas que emanam de seu interior, elas são legítimas. As alegrias e aflições formam-se dentro de nós, e por esta razão, dizem respeito ao destino que lhes daremos. De que maneira nós as trataremos? É uma decisão particular, que pode até ser dividida e receber apoio, todavia é único o encaminhamento a ser dado.



Os momentos em que nos recolhemos e ficamos introspectivos e mais reservados devem ser aproveitados para uma bela e frutífera viagem interior. Nela, nos permitimos acessar sentimentos e situações diversificadas, como um relacionamento rompido e ainda aberto, um medo mediante certa decisão a ser tomada, mágoa, frustração, etc.

Temer menos a dor e o sofrimento aumenta a capacidade de se superar e aceitar, cada vez melhor, os reveses da vida. Amplia as chances de evolução. Há uma frase que descreve com propriedade as razões da aflição: "Quanto mais numerosos os espinhos, mais belas serão as rosas". Permitamo-nos ao convívio mais abrangente de tantas coisas que ainda não ocupam o espaço necessário e enriquecedor de nossas vidas.

4.5.09

Silêncio



O mestre disse, "Não existe mente, então que tipo de estado você está buscando?".
Isto é difícil de se entender. Pessoas vêm a mim e dizem: "Gostaríamos de alcançar um estado silencioso de mente"...

Elas pensam que a mente pode ser silenciada; a mente nunca pode ser silenciada. Mente significa a confusão, o problema, a doença; mente significa a tensão, o estado de angústia.

A mente não pode ficar em silêncio; quando há silêncio, não há mente. Quando o silêncio vem, a mente desaparece; quando a mente está lá, o silêncio não mais está. Então não pode haver mente silenciosa, assim como não pode haver doença saudável. É possível haver uma doença saudável? Quando há saúde, a doença desaparece. O silêncio é a saúde profunda; a mente é a doença profunda, o distúrbio profundo.

Buddha o chamou, deu a ele uma flor e disse "Aqui entrego-te a chave". O que é a chave? Silêncio e riso são a chave - silêncio por dentro, riso por fora. E quando o riso vem do silêncio, ele não é deste mundo, ele é divino.

Osho

8.4.09

Seja feliz e encontre-se. Ame-se e evolua.


Religiosidade -OM MANI PADME HUM
(o mantra da Compaixão)

Qual a oração (mantra, reza, prece) é mais conhecida e proferida em todo o mundo?
Os cristãos, certamente dirão que é o “Pai Nosso”.
Devotos de outras religiões dirão que é a “sua” oração luminar...
Mas, a verdade é que esta simples frase: OM MANI PADME HUM é a mais proferida e conhecida. É tida como uma das mais poderosas e abrangentes dentre muitas.

É também uma das mais belas e de maior conteúdo. Mais de dois bilhões de pessoas a proferem diariamente, por vezes, durante todo o dia, pois a sua repetição contínua produz efeitos extraordinários tanto em quem a profere quanto nos que o cercam.OM MANI PADME HUM (o mantra da Compaixão), conhecido também como “Mani Mantra”, é a composição de seis sílabas que pode ter a seguinte tradução:

Recebemos a Jóia da consciência no coração do Lótus (O Lótus é o Chakra) e que pode significar: Recebemos a jóia da consciência divina, no centro do nosso Chakra da coroa (Sahasrara – Lótus de mil pétalas). A pronúncia é: OM MÃNI PADME RUM RRIIII.

Interessante se notar que mesmo sendo criado na Índia foi adotado pelo Budismo, religião criada no Nepal, posteriormente levado para o Tibete e passou a ser seu principal mantra. Mas nem só os budistas o proferem diariamente; seguidores de muitas outras correntes religiosas de todo o mundo, fazem uso do seu poder e o incorporaram aos seus ritos.



A maioria das seitas e escolas de sabedoria esotéricas praticam diariamente este ritual de repetição contínua.Mas, porque uma frase tão simples tem tanto poder, significado e adeptos? A razão é que os sons emitidos quando da sua recitação ativam centros energéticos dentro de cada um de nós (Chakras) e os fazem girar em altíssima velocidade, produzindo uma enorme quantidade de energia curadora e amplificadora que nos permite realizar curas em nós e nos outros e também ativam aminoácidos contidos em nosso DNA (ADN – Ácido Desoxirribonucleico), molécula orgânica que contém a "informação" que coordena o desenvolvimento e funcionamento de todos os organismos vivos.

Darei aqui alguns significados de cada sílaba.
Uma primeira visão deste mantra exprime o significado a seguir:

OM - fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses. O sofrimento do reino dos deuses surge da previsão da própria queda do reino dos deuses (isto é, de morrerem e renascerem em reinos inferiores). Este sofrimento vem do orgulho;

MA - fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses guerreiros (do sânscrito: asuras). O sofrimento dos asuras é a briga constante. Este sofrimento vem da inveja;

NI - fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino humano. O sofrimento dos humanos é o nascimento, a doença, a velhice e a morte. Este sofrimento vem do desejo;

PAD - fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino animal. O sofrimento dos animais é o da estupidez, da rapina de um sobre o outro, de ser morto pelos homens para obterem carne, peles, etc. e de ser morto pelas feras por dever. Este sofrimento vem da ignorância;

ME - fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos fantasmas famintos (do sânscrito: pretas). O sofrimento dos fantasmas famintos é o da fome e o da sede. Este sofrimento vem da ganância;

HUM - fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino do inferno. O sofrimento dos infernos é o calor e o frio. Este sofrimento vem da raiva ou ódio.

Conta-se que há milênios um monge de nome Avalokitesvara, ao atingir a iluminação, alcançou tão elevado grau de espiritualidade, como se tivesse subido a mais alta montanha. Destas alturas, estava para partir a planos existenciais ainda mais elevados, e distantes da terra, quando ouviu um gemido que vinha do inconsciente coletivo da humanidade.

O lamento por sua partida. Seu coração encheu-se de compaixão e Avalokitesvara prometeu ficar neste planeta trabalhando e servindo para evolução da humanidade. Este juramento é feito por todos os Mestres que servem a Luz da Grande Fraternidade Branca Universal.

Eles deixam de seguir as sua evolução em planos superiores, para servir a Luz de seus irmãos ainda encarnados.
Ao recitarmos este mantra, estamos penetrando a mesma roda metafísica que os Mestres Ascensos e não Ascensos da Grande Fraternidade Branca Universalque estão constantemente empurrando - a Roda da Evolução Espiritual da humanidade.

Como disse acima, sua origem se deu na Índia e de lá foi para o Tibete. Os tibetanos não conseguiram entoá-lo da mesma forma, mudando sua pronuncia para: OM MANI PEME HUNG.Qualquer pessoa pode entoá-lo. Estando feliz ou triste, ao o entoar uma espontânea devoção surgirá em nossa mente e o grande caminho será fortemente realizado.



O mantra OM MANI PADME HUM, é fácil de pronunciar e poderoso, pois contém a essência de todo o ensinamento. De acordo com Dalai Lama, o propósito de recitar este mantra é transformar o corpo impuro de suas palavras e mente, no puro e louvado corpo, palavra e mente de um Buda.

O som de cada silaba é visto como tendo uma forma paralela espiritual. Fazer o som de cada silaba portanto, é alinhar a si mesmo com aquela qualidade espiritual particular e para se identificar com isto.A seguir darei mais alguns significados atribuídos a cada uma das seis sílabas:
OM - A primeira silaba, recitá-la o abençoa para atingir a perfeição na pratica da generosidade;
MA - Ajuda a aperfeiçoar a pratica da ética pura;
NI - Ajuda a atingir a perfeição na pratica da tolerância e paciência;
PAD - Ajuda a conquistar a perfeição na pratica da perseverança;
ME - Ajuda a conquistar a perfeição na pratica da concentração;
HUM - Ajuda na conquista da perfeição na pratica da sabedoria.

Cada uma das seis silabas elimina um dos venenos da consciência humana:
OM - Dissolve o orgulho;
MA - Liberta do ciúme e da luxuria;
NI - Consome a paixão e os desejos;
PAD - Elimina a estupidez e danos;
ME - Liberta da pobreza e possessividade;
HUM - Consome a agressão e o ódio.

Cada uma das seis silabas sagradas do mantra OM MANI PADME HUM retêm um efeito purificador genuíno:
OM - Purifica o corpo;
MA - Purifica a palavra;
NI - Purifica a mente;
PAD - Purifica as emoções;
ME - Purifica as condições latentes;
HUM - Purifica o véu que encobre o conhecimento.

Muito mais pode ser dito sobre este mantra e futuramente o farei. Agora que alguma luz se fez notar nestas plagas ocidentais, aproveite as bênçãos dessa “oração” e a recite com a mente vazia e o coração cheio de amor e compaixão por si mesmo(a) e por tudo que o(a) cerca.

22.3.09

Saiba mais sobre o Hinduísmo, a religião dos deuses



Hinduísmo, mais do que uma simples religião, é um complexo conjunto de doutrinas e práticas religiosas que surgiram na Índia cerca de 4.000 anos atrás. Em sânscrito a palavra hinduísmo escreve-se "sanatana dharma", que significa "a lei permanente". As estimativas falam entre 650 milhões e 750 milhões de adeptos dessa religião no mundo.

A base do hinduísmo está nos chamados Quatro Livros Sagrados dos Vedas (Rigveda, Samaveda, Yajurveda e Artharvaveda). O conhecimento que deu origem a esses livros possivelmente veio pela tradição oral e, talvez, até mesmo pela pintura. No século 10, foram compilados por vários estudiosos e religiosos.

Acredita-se que a origem dos Vedas, um povo ário, seja indo-européia. Esse grupo teria chegado à região dos rios Indo e Ganges por volta de 1.500 a.C. e lá se estabelecido de forma definitiva, com sua vasta cultura religiosa.

O hinduísmo é uma das primeiras religiões a ter como fundamento a crença na reencarnação e no carma, bem como na lei de ação e reação --que milhares de anos depois, no século 19, seria encampada pelo espiritismo (só que, esta, uma religião "positivista"). Para os hindus, tudo reencarna. Não só pessoas, mas animais também. Um homem pode reencarnar num animal, inclusive, segundo a religião. Pode ser uma forma de punição ou de purificação, diz a teoria.

Assim como o islamismo (atualmente) e o cristianismo (entre os séculos 14 e parte do 19), o hinduísmo também ganhou status de ordem política, já que essa religião ensina que a lei (dharma) criou os humanos e a própria natureza sob um sistema de castas. Cada indivíduo pertence à casta que merece. Quanto mais alta a casta, em tese, maior evolução espiritual a pessoa tem.

O advento e estabilização da democracia na Índia a partir do século 20 (e, por consequência, o maior poder de questionamento intelectual da sociedade) têm gerado bastante desconforto social em relação a dogmas como esse das castas.

De forma geral, o hinduísmo não busca a felicidade neste mundo material e primitivo. Sua principal orientação é para que o homem se liberte de todo o carma e das reencarnações (sansara) e atinja um estado conhecido como nirvana. O "Paraíso", para os hindus, é esse: o nirvana.



Para atingir esse "lugar" (na mente) é necessário praticar ioga e meditação diariamente, por toda a vida.

"Vertentes" e mesmo seitas originárias do hinduísmo grassam hoje por todo o mundo, inclusive pelo Brasil.

Trata-se de uma religião politeísta (com vários deuses e deusas). Entre eles, Brahma, o deus principal e criador, que, com Shiva e Vishnu, formam a tríade divina (traduzindo para os cristãos: Pai, Filho e Espírito Santo). Além desses também há o importante Varuna, o deus dos deuses; Agni (patriarca dos homens e deus do fogo); e muitos outros, como a deusa Maya (ilusão), que comanda este mundo "ilusório".

Ratos, vacas e serpentes são animais considerados sagrados. Justamente por isso, os ratos se transformaram hoje em uma praga indestrutível na Índia. Em 2000 calculava-se existir 3,5 bilhões deles (mais de três vezes a população do país, de cerca de 1,04 bilhão de habitantes).

Segundo a tradição, Brahma teve quatro filhos que deram origem às quatro castas: brâmanes (os que saíram da boca de Brahma) são a mais elevada; os xátrias (os que saíram dos braços de Brahma) são os guerreiros; os vaicias (os que saíram das pernas de Deus ou Brahma) são os camponeses e comerciantes; os sudras (aqueles que saíram dos pés de Brahma), são os servos e escravos.

Os párias, a quinta categoria, nem são considerados uma casta. São pessoas que ou cometeram "crimes" e desobedeceram às leis sagradas ou tiveram ascendentes "acusados" disso. Portanto, filho de pária, pária é. Socialmente são considerados um "nada". A eles, em tese, é proibido viver nas cidades e até mesmo ler qualquer um dos livros sagrados. Em alguns pontos da Índia, essa determinação tem sido rejeitada mesmo por membros de castas mais elevadas.


RICARDO FELTRIN
Editor da Folha Online

8.2.09

Tu



Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias,
Moras onde melhor Deus te proporcionou,
De acordo com teu adiantamento espiritual.

Possuis os recursos financeiros coerentes
Com as tuas necessidades, nem mais,nem menos,
mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste
espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraíste,
com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais,buscas, expulsas,
modificas tudo aquiloque te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua jornada de vivência
Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograma tua meta,
Busca o bem e viverás melhor.
Embora ninguém possa voltar atrás
e fazer um novo começo,

Qualquer um pode começar agora
e fazer um Novo Fim.



"ESTAREI COM DEUS, PASSAREI PELA TUA CASA E LEVAREI TODOS OS TEUS PROBLEMAS."

CHICO XAVIER

5.2.09

Flor de Lótus



A flor de Lótus é venerada na Índia e no Japão como símbolo da espiritualidade; a semente de Lótus pode, por exemplo, ficar 100 anos sem água, somente esperando a condição ideal de umidade pra germinar. Ela nasce na lama e só se abre quando atinge a superfície, onde só então mostra suas luminosas e imaculadas pétalas, que são autolimpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microrganismos e poeiras. É também a única planta que regula seu calor interno, mantendo-o por volta de 35º, a mesma temperatura do corpo humano. O botão da flor tem a forma de um coração, e suas pétalas não caem quando a flor morre, apenas secam. O conhecimento espiritual supremo é comparado ao florescimento do Lótus de mil pétalas no topo da cabeça, como é chamada a expansão do chakra coronário.

Um símbolo de pureza espiritual e do centro sagrado, o lótus aberto era considerado sagrado tanto no budismo quanto no hinduismo. O botão representava fertilidade e potencial. No antigo Egito, esta flor simbolizava o sol e a ressurreição do deus Hórus. Ela era tão sagrada que e encontrada pintada e esculpida nos templos e nas tumbas.

Na Índia, a deusa hindu Lakshmi e relacionada com o lótus. Quando associada a Lakshmi, esta flor simboliza o yoni ou útero da criação. Muitas divindades hindus são retratadas sentadas sobre o lótus, que neste caso representa a divindade e o espírito.

3.1.09

Samsara



O Samsara pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.
Algumas doutrinas hindus acreditam na Metempsicose, ou doutrina da transmigração da alma, que sustenta que a alma humana pode, depois da morte, transmigrar para corpos animais ou vegetais (esta doutrina é um dos grandes princípios do Hinduismo, juntamente com o conceito de Karma).
Os budistas crêem que as criaturas nascem muitas vezes: os “pecados” das vidas passadas de um homem explicam os sofrimentos da vida presente.
Buda ensinou também que todas as coisas mudam e que nada, nada é permanente... Nem a dor, nem a alegria, nem a ignorância, nem a sabedoria.




...

22.11.08

Vencer a dor





A vida é feita de sofrimento. O sofrimento, por sua vez, vem do apego que temos aos desejos do corpo físico. Qualquer um pode vencer esse apego, e existe um caminho para superá-lo. Essas são as quatro verdades fundamentais do budismo, religião fundada pelo príncipe Siddartha Gautama aproximadamente 500 anos antes no nascimento de Cristo.

Siddartha Gautama ficou posteriormente conhecido como Buda Gautama. Ele nasceu aos pés do Himalaia, atual Nepal, e cresceu cercado pela vida palaciana. Curioso por não conhecer a velhice e a morte, aos 29 anos ele decidiu peregrinar pela região onde vivia. Seguiu monges ascéticos —que ignoravam completamente a vida física— e acabou conhecendo o extremo oposto do materialismo.

A partir daí, Buda concluiu que o apego à matéria causa sofrimento porque o mundo físico não é permanente. O materialismo, o desejo, a luxúria e a ambição —seguidos da desilusão— são as causas da dor. Livrar-se deles é livrar-se do sofrimento.

O nirvana, diferente de paraíso budista ou de "entrar no nada", é antes vencer o apego, o ódio e a ignorância. Só é possível superar o sofrimento ao aceitar a imperfeição, a transitoriedade e a interdependência entre tudo e todos no universo.




O caminho para atingir o nirvana e se livrar da dor é chamado "dharma". Para o príncipe Gautama, o "dharma" é o caminho do meio, compreendido pelo budismo como o equilíbio entre o materialismo e o idealismo, entre o hedonismo e o ascetismo. Para trilhar o caminho do meio, o seguidor do budismo deve seguir oito etapas:

Sabedoria

Visão correta
Compreensão das quatro nobres verdades do budismo (a vida é sofrimento, o sofrimento vem do apego, o apego pode ser superado e há um caminho para isso).

Vontade correta
Vontade sincera de se libertar do apego, da ignorância e do ódio

Moral

Fala correta
Abstenção da mentira e da maledicência

Ação correta
Abstenção de comportamentos prejudiciais, como assassinato, roubo ou sexo livre

Meio de vida correto
Sustento da própria vida (profissão) honesto e que não machuque ou prejudique outras pessoas, inclusive animais

Meditação

Esforço correto
Exercício mental para que as más qualidades sejam abandonadas e mantidas longe do comportamento e para que as boas qualidades sejam cumpridas e cultivadas

Atenção correta
Concentração no próprio corpo, nos próprios sentimentos, pensamentos e consciência para superar o ódio e a ignorância

Concentração correta
Meditação sobre as formas de progressivamente compreender que o universo é transitório e tudo depende de tudo



FRANCISCO MADUREIRA

8.11.08

Muita ciência e pouca humildade




Fato ocorrido em 1892, verdadeiro e parte integrante da biografia do protagonista:

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia, e estava aberta no livro de Marcos.

Sem muita cerimônia, o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
- Mas é claro que está! – retrucou o jovem - Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias.

O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia? – perguntou o velho, demonstrando o interesse de quem quer aprender um pouco.

- Bem - respondeu o universitário - como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, sentindo-se pior que uma ameba.

No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França


"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima."
Louis Pasteur

A Realidade existe?

Nem as cores existem na natureza nem nossa mente reflete fielmente os que nos rodeia. A realidade é proporcional ao número de seres humanos, posto que o que cada um percebe é filtrado e deformado pelos sentidos objetivos e a mente subjetiva.

O mundo visual que nos rodeia é uma ilusão? É verdade que as cores não existem na natureza? Nosso cérebro reflete fielmente a realidade exterior? As respostas a essas perguntas demonstram que a realidade é um conceito bastante subjetivo, já que muitas das coisas que observamos não existem ou, pelo menos, não são como as enxergamos.

O coquetel de estímulos provenientes do interior e do exterior de nosso corpo e que captamos por meio dos cinco sentidos varia sutilmente de uma pessoa para outra, já que a estrutura, as diferenças e as alterações dos órgãos sensoriais de cada um fazem com que, por exemplo, vejamos e escutemos de forma diferente, tanto que não exitem duas percepções iguais do real.

Se essa percepção objetiva, por sua vez, é alterada pela interpretação subjetiva do que somos, acontece e nos rodeia, com base em nossa bagagem de aprendizados e experiências, podemos concluir que a realidade é algo tão pessoal e único como as impressões digitais.

Segundo o neurocientista Francisco J. Rubia, autor do livro "¿Qué sabes de tu cerebro?" (O que seu cérebro sabe?), "antigamente se achava que o cérebro refletia de forma fidedigna o mundo exterior, mas, a cada dia, parece mais evidente que o cérebro é um mundo fechado que traduz os estímulos externos para a linguagem disponibilizada pelas estruturas cerebrais, dando uma versão interna ou uma representação da realidade exterior".

O mundo visual é uma ilusão?
É o que parece. As imagens, que se formam nas duas retinas dos olhos, são distorcidas, pequenas e invertidas. Além disso, o poder de resolução do olho é limitado e disforme, já que, fora do ponto de maior acuidade, é baixo e a retina é praticamente cega para as cores. O olho, além disso, se movimenta constantemente de um ponto para outro do campo visual, de três a quatro vezes por segundo, o que faz o órgão criar um montão de novas imagens.

Por outro lado, é conhecida a importância da atenção para a percepção de qualquer sensação: por exemplo, se não temos atenção, não vemos. Além disso, o cérebro "completa" a percepção das coisas que não são vistas, como a visão de um cachorro inteiro atrás de uma cerca, embora só vejamos partes do animal. Mas, talvez o mais importante, seja constatar que muitas das coisas que vemos são criações do cérebro. As chamadas "ilusões óticas" são inúmeras e dizem "a gritos que o cérebro vê o que quer ver, por isso somos incapazes de captar o que costumamos chamar de realidade".

As cores não existem. A natureza não tem mais que diferentes comprimentos de onda. A audição, a visão, a percepção da cor ou do som... Tudo depende do nosso cérebro e da organização espacial das estruturas que processam esses estímulos. Além disso, o processamento cerebral das características ou propriedades dos diferentes estímulos do ambiente, como a qualidade, a intensidade, sua estrutura temporária e local de procedência, podem variar, devido às estruturas e células nervosas que os recebem e transportam.
Na visão cromática, intervêm receptores que captam os diferentes comprimentos de onda do espectro electromagnético (azul-violeta, verde, e amarelo-vermelho) e células que produzem as sensação de contraste entre as cores.
No final de todo o processo, o cérebro atribui uma determinada cor à atividade dos receptores e de todas as células que há até a informação chegar a um região denominada córtex visual. Mas um comprimento de onda não se transforma no cérebro em uma determinada cor. Não há uma correlação clara entre as duas coisas.



Nosso cérebro, então, reflete a realidade exterior? Para Rubia, esta pergunta tem um categórico "NÃO" como resposta: "Existe uma realidade exterior, mas tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, sentimos está dentro de nós mesmos. É o próprio cérebro que está sempre falando com a gente", destaca. Segundo o cientista, "graças às transformações que os receptores dos estímulos externos realizam, graças à tradução dos estímulos físicos para a linguagem cerebral dos impulsos nervosos, fazemos com que surja essa realidade, esse mundo que não está fora, mas dentro do cérebro".
A tradução deve ser boa, porque, caso contrário, não teríamos nos adaptado tão satisfatoriamente ao nosso entorno.
Porém, estamos presos dentro do nosso cérebro, e qualquer pensamento sobre a captação da realidade é pura ilusão, diz o especialista.

Por Omar Segura / Agência EFE

Sincronicidade e sonhos



Sincronicidade quer dizer coincidência significativa, ou seja, dois ou mais eventos que ocorrem ao mesmo tempo e não guardam entre si uma relação de causa, mas de significado. Esse termo foi cunhado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, e o caso de sincronicidade que mais intrigou o foi o do escaravelho de ouro:

"O meu exemplo refere-se a uma jovem paciente que, apesar dos esforços feitos e ambos os lados, provou ser psicologicamente inacessível. A dificuldade residia no fato de ela saber sempre mais sobre tudo. A sua educação excelente tinha-a equipado com uma arma feita à medida para o efeito, um racionalismo cartesiano primorosamente refinado com uma ideia da realidade impecavelmente "geométrica". Depois de várias tentativas frustradas de lhe adoçar o racionalismo com uma compreensão algo mais humana, tive de me reduzir à esperança de que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que rompesse a réplica intelectual a que se tinha remetido. Bem, um dia, estava sentado em frente dela, de costas para a janela, ouvindo o fluxo da sua retórica. Tinha tido um sonho impressionante na noite anterior, em que alguém lhe tinha dado um escaravelho de ouro – uma peça de joalharia cara. Enquanto ela estava me contando o sonho, ouvi qualquer coisa batendo suavemente na janela.



Voltei-me e vi que era um inseto voador bastante grande que batia de encontro à vidraça, na tentativa de entrar na sala escura. Isso pareceu-me estranho. Abri a janela imediatamente e apanhei o inseto no ar quando ele entrou. Era um besouro da família dos Escarabídeos, que ataca as roseiras, cuja cor verde-dourada se parece muito com um escaravelho de ouro. Entreguei o besouro à minha paciente com as palavras, "Aqui tem o seu escaravelho". A experiência abriu a brecha necessária no seu racionalismo e quebro-lhe o gelo da resistência intelectual. Agora podia continuar o tratamento com resultados satisfatórios."


(Retirado de "O Caminho menos percorrido", de M.Scott Peck)

O curioso é que, na linguagem simbólica, escaravelho significa "transformação".
Curioso também que o mundo dos sonhos parece estar envolvido em um monte de sincronicidades.

Projetamos o que somos



A Sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas tendências indesejáveis em outros. Abaixo, um ótimo exemplo:

"Durante mais de 5 anos este homem percorreu a Europa como um louco,em busca de qualquer coisa a que pudesse deitar fogo. Infelizmente sempre haverá mercenários prontos a abrir as portas da sua pátria a este incendiário internacional."

A frase acima não é sobre Hitler, e sim de Hitler falando mal do primeiro-ministro inglês Winston Churchil!!

A Sombra é o oposto do ego e encarna, precisamente, o traço de caráter que mais detestamos nos outros. E aí lembro do espírito Joana de Ângelis, que diz que "o ódio é o amor distorcido".



Na verdade, ao odiarmos, estamos sufocando algo que temos dentro da gente (por isso a ressonância) que cultivamos (quem cultiva, ama), mas não admitimos. Se não a cultivássemos, a Sombra não existiria desta forma. Daí a necessidade do caminho do meio, do equilíbrio. Se o ego for bem trabalhado nas 4 funções (pensamento, sentimento, sensação e intuição) não vai sobrar grandes opostos para a Sombra encarnar.

"O pêndulo da mente se alterna entre perceber e não-perceber, e não entre certo e errado"
Carl Jung

Tesouro não está perdido



O tesouro está na verdade dentro da sua própria mente e de seu próprio coração.
Mestres, tradições, técnicas, todos têm o único propósito de ajudar a revelar aquilo que já está dentro de você.Se você pensa diferente, se acredita que a felicidade está "do lado de fora", em uma tradição religiosa, "no seu mestre" ou na "comunidade espiritual", você não compreendeu bem.

O Dharma consiste nos métodos para revelar o que já está dentro de você.


B. Allan Wallace

Libertação



Quando somos atingidos por um bastão ou pedra, isso machuca; quando alguém nos chama de ladrão ou mentiroso, ficamos com raiva. Por que isso?
Porque sentimos grande estima e apego ao que achamos que é o "eu", e pensamos: "Eu estou sendo atacado". Apego ao eu é o obstáculo verdadeiro para a realização da liberação e iluminação.
O que chamamos de criadores de obstáculos ou influências malignas -- como fantasmas, deuses e tudo mais -- não são entidades verdadeiramente fora de nós. O problema vem de dentro.
É devido à nossa fixação no eu que pensamos: "Sou tão infeliz; não tenho nada para comer; não tenho roupas; muitos estão contra mim; não tenho amigos".
São pensamentos como estes que nos mantém tão ocupados; e todos são tão inúteis! Essa é a razão por não estarmos no caminho da liberação e do Estado de Buda.

Dilgo Khyentse Rinpoche

O Véu de Maya

Todas as pessoas (que seriam os átomos) alinhadas numa direção (que seria o tempo), andando no deserto (que é o espaço infinito). Ora, o deserto se estende por todas as direções, mas a fila só segue por aquele estreito caminho, pois as pessoas usam tapa-olhos, como os burros de carga. Se por acaso uma pessoa resolve sair numa diagonal ou perpendicular dessa fila, as outras diriam que ela sumiu bem na sua frente, enquanto na verdade ela pode estar bem do lado, o tempo todo. É assim que se dá a aparição (e sumiço) dos "fantasmas".




O tapa-olhos seria o véu de Maya, nome dado pelos Hindus para a nossa realidade, que é apenas uma distração sensorial, uma teia de aranha, que ao mesmo tempo em que esconde, revela. Os médiuns videntes conseguem notar algo além do véu, mas nem sempre claramente, como uma pessoa que tenta olhar o mundo através de óculos embaçados.
O que me impulsionou a tal idéia foi o livro Operação Cavalo de Tróia, de J.J. Benitez, em que um major da força aérea volta no tempo para encontrar Jesus. Várias páginas são gastas explicando o processo, que consiste em aplicar uma energia que mude o eixo dos átomos, alterando seu spin. Segundo ele, o tempo como o conhecemos seria resultado do spin de nossos átomos estar no mesmo spin de tudo o mais com o que a gente interage (ou seja, nossa realidade). Mudando o spin, você pode ir parar lá no fim da fila, ou mesmo adiante. Poderia também mudar para um plano análogo ao nosso, uma realidade paralela. Impressionado pelo conteúdo do livro, li e reli exaustivamente as partes "científicas", e creio que seja possível sim, se acharmos COMO e em que quantidade aplicar essa energia, causando uma reação em cadeia que alteraria o eixo de todos os átomos.


Retirado de: Saindo da Matrix

Ofender é uma maneira de dizer alguma coisa



Buda estava sentado embaixo de uma árvore falando aos seus discípulos. Um homem se aproximou e deu-lhe um tapa no rosto.
Buda esfregou o local e perguntou ao homem:- E agora? O que vai querer dizer? O homem ficou um tanto confuso, porque ele próprio não esperava que, depois de dar um tapa no rosto de alguém, essa pessoa perguntasse: "E agora?" Ele não passara por essa experiência antes.
Ele insultava as pessoas e elas ficavam com raiva e reagiam. Ou, se fossem covardes, sorriam, tentando suborná-lo. Mas Buda não era num uma coisa nem outra; ele não ficara com raiva nem ofendido, nem tampouco fora covarde.
Apenas fora sincero e perguntara: "E agora?" Não houve reação da sua parte.

Os discípulos de Buda ficaram com raiva, reagiram. O discípulo mais próximo, Ananda, disse: - Isso foi demais: não podemos tolerar. Buda, guarde os seus ensinamentos para o senhor e nós vamos mostrar a este homem que ele não pode fazer o que fez. Ele tem de ser punido por isso. Ou então todo mundo vai começar a fazer dessas coisas. - Fique quieto – interveio Buda – Ele não me ofendeu, mas você está me ofendendo. Ele é novo, um estranho. E pode ter ouvido alguma coisa sobre mim de alguém, pode ter formado uma idéia, uma noção a meu respeito. Ele não bateu em mim; ele bateu nessa noção, nessa idéia a meu respeito; porque ele não me conhece, como ele pode me ofender?



As pessoas devem ter falado alguma coisa a meu respeito, que "aquele homem é um ateu, um homem perigoso, que tira as pessoas do bom caminho, um revolucionário, um corruptor". Ele deve ter ouvido algo sobre mim e formou um conceito, uma idéia. Ele bateu nessa idéia. Se vocês refletirem profundamente, continuou Buda, ele bateu na própria mente. Eu não faço parte dela, e vejo que este pobre homem tem alguma coisa a dizer, porque essa é uma maneira de dizer alguma coisa: ofender é uma maneira de dizer alguma coisa.
Há momentos em que você sente que a linguagem é insuficiente: no amor profundo, na raiva extrema, no ódio, na oração.


Há momentos de grande intensidade em que a linguagem é impotente; então você precisa fazer alguma coisa. Quando vocês estão apaixonados e beijam ou abraçam a pessoa amada, o que estão fazendo? Estão dizendo algo. Quando vocês estão com raiva, uma raiva intensa, vocês batem na pessoa, cospem nela, estão dizendo algo. Eu entendo esse homem. Ele deve ter mais alguma coisa a dizer; por isso pergunto: "E agora?"O homem ficou ainda mais confuso! E buda disse aos seus discípulos: - Estou mais ofendido com vocês porque vocês me conhecem, viveram anos comigo e ainda reagem.



Atordoado, confuso, o homem voltou para casa. Naquela noite não conseguiu dormir.Na manhã seguinte, o homem voltou lá e atirou-se aos pés de Buda. De novo, Buda lhe perguntou: - E agora? Esse seu gesto também é uma maneira de dizer alguma coisa que não pode ser dita com a linguagem. Voltando-se para os discípulos, Buda falou:- Olhe, Ananda, este homem aqui de novo. Ele está dizendo alguma coisa. Este homem é uma pessoa de emoções profundas. O homem olhou para Buda e disse:- Perdoe-me pelo que fiz ontem. - Perdoar? – exclamou Buda. – Mas eu não sou o mesmo homem a quem você fez aquilo. O Ganges continua correndo, nunca é o mesmo Ganges de novo. Todo homem é um rio. O homem em quem você bateu não está mais aqui: eu apenas me pareço com ele, mas não sou mais o mesmo; aconteceu muita coisa nestas vinte e quatro horas! O rio correu bastante. Portanto, não posso perdoar você porque não tenho rancor contra você. E você também é outro, continuou Buda. Posso ver que você não é o mesmo homem que veio aqui ontem, porque aquele homem estava com raiva; ele estava indignado. Ele me bateu e você está inclinado aos meus pés, tocando os meus pés; como pode ser o mesmo homem? Você não é o mesmo homem; portanto, vamos esquecer tudo. Essas duas pessoas: o homem que bateu e o homem em quem ele bateu não estão mais aqui. Venha cá. Vamos conversar.


Osho; Intimidade Como Confiar em Si Mesmo e nos Outros

O mestre e o aluno



Há um ditado zen de imenso valor que diz: "Se você encontrar o Buda no caminho, mate o Buda". Mas Buda está morto há 25 séculos! Onde você vai encontrá-lo, e de que maneira? E como você pode matar alguém que já está morto há 25 séculos

É um sentido totalmente diferente: Esta é uma mensagem para o discípulo que ama Buda, que o ama tanto que existe a possibilidade de que Buda se torne sua última barreira - porque ele ama, porque ele é um discípulo, porque ele medita e penetra cada vez mais dentro do seu ser, ele se sentirá cada vez mais grato a Buda. E, no último momento, o Mestre deve ser deixado para trás... no último momento.
Bem no fim você deve dizer adeus ao Mestre também. Lembrem-se de que isto é uma coisa interior, e não tem nada a ver com o exterior. Quando quase todos os pensamentos desaparecerem, e só um restar: o do seu Mestre.



É muito difícil dizer adeus. Você deve tanto para o Mestre - ele tem sido sua fonte, sua transformação; Ele tem sido sua nutrição, sua vida; Ele trouxe você ao longo de todo o caminho. E agora dizer adeus para a pessoa que tem sido seu guia, seu amigo? Dizer que adeus para aquele que tem sido um companheiro constante na noite escura da alma; Justo quando o amanhecer está vindo, devo dizer adeus para ele? Parece impossível! E o discípulo, no último instante, começa a se agarrar à idéia do seu Mestre.

Mas isso se torna uma barreira. O próprio Mestre dará ele mesmo um empurrão, e se você não atentar para o empurrão, então ele lhe dará um pontapé na bunda! - Porque você tem que ir, você tem que entrar no desconhecido.

O Mestre mesmo diz - eu digo a você - "Se você me encontrar no caminho, mate-me!" Mas o que significa isso? Se você for pra dentro de si mesmo, na última esquina estarei esperando por você.
E será difícil dizer adeus, sempre têm sido difícil dizer adeus. Daí o ditado dizer apenas para matar o mestre; Não há necessidade nem de dizer adeus; Mate o Mestre, para que não haja necessidade de olhar para trás; Mate o Mestre, para que você agora possa estar totalmente só, com nem mesmo a sombra do Mestre com você. E isto é feito em grande agradecimento, em grande gratidão.

Primeiro se torne um discípulo, comece a mover-ve pra dentro de si, e só então poderá me encontrar. Você não me encontrou nem exteriormente, como pode você interiormente me encontrar? Você já não chegou nem perto de mim, como pode estar num estado de se apegar a mim? Você está longe, distante, você está evitando. Você não disse nem bom-dia, então, qual o problema de dizer adeus?
Primeiro se torne um discípulo. Mova-se pro seu interior, deixe-me ajudá-lo até a última etapa, e então certamente, se você me encontrar no seu caminho interior, mate-me.



Mas acontece que as pessoas só entendem de acordo com suas próprias idéias. Você não entendeu este koan Zen. Lembre-se novamente, não é que o discípulo mate o Mestre em raiva. Ele o mata em gratidão. Na verdade, ele o mata porque o Mestre o ordena a isso; Ele simplesmente segue a ordem - chorando, lamentando, com lágrimas em seus olhos. E mesmo quando ele foi morto, a gratidão permanece.

Os Mestres que estavam dizendo a seus discípulos "se você encontrar o Buda no caminho, mate-o" estavam adorando Buda todo dia, manhã, tarde, noite. Eles estavam se prostrando ante Buda. E muitas vezes devem ter sido inquiridos pelos discípulos: "Senhor, você diz se você encontrar o Buda no caminho, mate-o; Então, por que você o adora?" E ele diria: "Porque ele é o único mestre no mundo... Buda é o único mestre no mundo que ajuda você a livrar-se dele também, daí a gratidão".

Você não entendeu a frase. Estas frases têm um significado muito diferente do que parece. Para entendê-las, você terá que se tornar um pouco adulto. Até onde estas frases alcançam, você é como uma criança.
Se você me encontrar no caminho, mate-me. Mas primeiro, por favor, estaja no caminho - onde estarei esperando por você, para ser morto por você. Mas você não sabe de uma coisa que nunca é dita. Esta frase é só metade disto; A outra metade - a primeira metade - está faltando. Antes de você poder me matar, eu matarei você. É como você entrará no caminho!

Osho

Dalai-Lama - O importante é a liberdade



Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano e prêmio Nobel da paz, recebeu "La Vanguardia" antes de dar uma conferência no Palau Sant Jordi sobre a felicidade, a necessidade de amor e a compaixão. A China ocupou violentamente o Tibete em 1959 e desde então o Dalai Lama vive no exílio em Dharmsala, nas encostas do Himalaia indiano. As negociações para uma solução de acordo com Pequim estão estagnadas há dois anos. Ele não exige a independência, mas uma autonomia que mantenha a cultura tibetana e a religião budista sem ingerências da China.

La Vanguardia - Os países ocidentais fazem o suficiente para incluir os ensinamentos cívicos do budismo em seus programas educacionais?

Dalai Lama - Há ensinamentos como a felicidade, o amor, a tolerância e a compaixão que são comuns a todas as religiões. Em todo caso, a educação deve ser secular. Não deve ser religiosa, para que assim possa unir pessoas de diferentes religiões. Os códigos morais se dão à margem das religiões. Baseiam-se no senso comum e também na ciência.

LV - Como o senhor explica que a cada dia haja mais cientistas que se inclinam pelo budismo?

DL - Está demonstrado cientificamente que a prática da compaixão beneficia a saúde porque reduz o estresse. Não se trata de falar sobre Deus e a reencarnação, mas de buscar em nosso interior e sermos compassivos. Ajuda a baixar a pressão arterial e nossa saúde melhora. Precisamos de um programa educacional desde o jardim-de-infância até a universidade, que alerte sobre a importância da bondade.

LV - Como caminho para a paz?DL - Para promover a paz mundial devemos insistir na bondade, porque a paz só chegará através da paz interior. É preciso ensinar aos jovens que os conflitos só poderão ser solucionados mediante o diálogo. Isso quer dizer a não-violência. Portanto, creio que os governos devem se esforçar mais para divulgar a educação da bondade.

LV - Existe no Ocidente uma atitude acomodada em relação às religiões, de maneira que apanhamos o que é mais fácil de cada uma?

DL - É importante manter as tradições. O budismo pertence à Ásia. Mas certas pessoas ocidentais acham mais interessante o budismo. Em geral,é preferível que cada indivíduo mantenha sua tradição religiosa. É possível escolher aspectos de várias religiões em nível superficial, mas é impossível em um nível mais profundo.

LV - É possível retomar as negociações com a China para solucionar o problema tibetano?DL - Apesar de que a cada dia a situação no interior do Tibete é mais grave por culpa da opressão chinesa, estamos comprometidos com uma solução que não inclua a independência, mas uma ampla autonomia, semelhante à que vocês desfrutam aqui na Catalunha, dentro do âmbito da democracia e do Estado de direito. Depende deles. Esperamos que se manifestem.

LV - O catolicismo cresce na China graças a um entendimento de fato entre o governo e o Vaticano. Essa seria uma via para o Tibete?

DL - Nossa situação é diferente. O problema do catolicismo na China é sua submissão ao Vaticano. O problema tibetano não tem a ver com uma instituição religiosa. É um problema histórico. Durante mil anos o Tibete e a China tiveram nomes diferentes. Não existe um nome para englobar a China e o Tibete. Nós, tibetanos, somos diferentes. Os chineses dizem que o Tibete faz parte da China, mas não é verdade. Os tibetanos não nos sentimos chineses. Mas o passado é passado, e o que importa agora é o futuro. Estamos de acordo que o Tibete permaneça dentro da República Popular, mas queremos que nossos recursos naturais e o desenvolvimento nos beneficiem mais. Também exigimos o respeito à nossa cultura, nossa língua e literatura. Além disso, o budismo tibetano representa a mais rica tradição budista. Por tudo isso devemos ter uma autonomia com conteúdo, não como a que outras províncias chinesas têm hoje. Essa é a chave, os direitos de 6 milhões de pessoas, e não o retorno do Dalai Lama. Não quero recuperar os títulos que tinha antes de 1959. Sou apenas um simples monge budista.

LV - O senhor acredita que os Jogos Olímpicos de Pequim possam favorecer a causa tibetana?

DL - Alguns amigos nos dizem que os jogos são uma boa oportunidade para abrir a China e conseguir mais liberdade. Mas não tenho certeza. Por exemplo, vejo que há alguns meses se prometeu livre acesso à imprensa internacional, mas agora há mais restrições.

LV - O senhor considera que a comunidade internacional deveria pressionar mais Pequim sobre a situação do Tibete?

DL - Há países como os EUA e instituições como o Parlamento Europeu que, quando têm a oportunidade, manifestam ao governo chinês suas preocupações sobre o Tibete, especialmente sobre os direitos humanos e a liberdade religiosa.

LV - O senhor acredita que a ONU não faz o suficiente para defender o Tibete?

DL - No início dos anos 50 apelamos à ONU. Voltamos a fazê-lo em 1959. Conseguimos apoios suficientes para aprovar três resoluções (1959, 1961 e 1965). Nos anos 70, porém, entendemos que era mais prático tratar diretamente com a China. Tenho uma visão crítica da ONU.

LV - Acredita que é inútil para a causa tibetana?

Dalai Lama - Inútil é uma palavra forte demais, mas responde aos interesses dos governos. Além disso, aprovou três resoluções, e do ponto de vista moral tem certa responsabilidade.

LV - A religião se transformou no Iraque em uma força violenta?

DL - Algumas pessoas do mundo árabe vêem com suspeita e desconfiança a influência da modernidade ocidental. A principal causa da guerra no Iraque e dos atentados de 11 de Setembro é a desconfiança. O mundo árabe esteve um pouco isolado durante séculos. Ao contrário da Índia ou da Indonésia, onde houve uma longa tradição de convivência religiosa. Com relação ao Iraque e ao Afeganistão, os EUA tentaram levar para lá a democracia, mas viram que era complexo demais. Diante desse fracasso, os cidadãos se encheram de emoção, de emoção demais, e é por isso que, em nome da religião, xiitas e sunitas se matam. É terrível, mas quando há tanta emoção é muito fácil manipular apelando para a religião.

LV - O povo tibetano aceitaria uma solução imposta de fora?

DL - Se os chineses impuserem a democracia no Tibete, serão recebidos de braços abertos. A democracia é o futuro do Tibete. Há seis anos temos um Parlamento e um governo no exílio, com um primeiro-ministro. Desde então eu estou semi-aposentado.

LV - É difícil conciliar ser um homem de Estado e um homem de fé?

DL - Absolutamente. Creio na separação entre a religião e o Estado. Antes eles estavam unidos no Tibete, mas não é bom. A liberdade tibetana, porém, está muito ligada à religião, pois sem liberdade não se pode praticar o budismo. A luta pela liberdade do Tibete faz parte de minha prática religiosa.

LV - Na medida em que o senhor envelhece, aumenta a saudade de Lhasa? Não seria ruim não poder regressar?

DL - Não muito. De verdade. Não é tão importante. O importante é a liberdade.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves