2.9.09

Destino


Todos os anos o Imperador do Japão escolhe uma palavra para a população escrever poesias.
Há concursos e discursos. Há declamação e há aqueles que escrevem para si mesmos, como diversão.
As monjas e monges escrevem como prática religiosa e se acaso morrerem, esse poema se tornará seu epitáfio.

A palavra deste ano é Inochi.

Inochi significa vida.

Inochi também significa destino, decreto, comando.
Ao escolher uma palavra o Imperador faz com que todos reflitam sobre ela.
Vida...

Neste momento em que jovens cometem suicídio com hora marcada pelos orkuts e blogs, corruptos se enforcam ou se escondem em hotéis suspeitos, yakuzas, dekassekis, pessoas comuns, policiais, soldados e marginais matam e morrem, nos ônibus, nas esquinas, nos corredores e nos bastidores.

A morte como atriz principal, sorri debruçada na escada da vida.
Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?
Qual nosso destino? A que decreto obedecer? A qual comando servir?
Quem decreta o decreto? Será voto secreto? Quem está no comando? Há mandos e desmandos?
O que é a vida? E a morte? Arrepia ou dá sorte? Há um começo, um meio, um fim?

Ou será sem começo, sem fim, apenas um meio?
Há pré destinação? Ou se escolhe o destino?
Há um Deus comandando, decretando, criando, organizando?
Ou apenas a razão? Há o nada, o vazio?
Tudo é o caos, desordenando-se e se reordenando num constante redemoinho sem nexo ou plexo?
Ou segue uma ordem, uma lei de interdependência, que transcende o eu e o outro, Deus e criatura?

Vida, destino, decreto, comando.
Somos donas de nosso destino? Somos vítimas do destino? Ou somos co responsáveis pela vida – que é nossa, que é vossa, que é delas e deles?

Uma pequena luz começara a se acender em mim.
E quando tudo parece escuro, quando não encontro solução e não vejo a luz no final do túnel, eu sei que a luz existe.
Mesmo pequenina de vagalume, ou imensa de cometa.

A vida vale a pena ser vivida.
Monja Coen